Como definição, a displasia é uma alteração da formação ou desenvolvimento de alguma estrutura. No caso do quadril, pode se apresentar de duas formas principais: a displasia do quadril e a luxação do desenvolvimento do quadril. A DISPLASIA DO QUADRIL É UMA DAS PRINCIPAIS CAUSAS DE ARTROSE.

Embora nosso objetivo seja abordar as consequências da malformação do quadril na idade adulta, é interessante entender que o a articulação do quadril já está formada na 11ª SEMANA DE VIDA DO FETO. É a partir desse momento que muito estímulos diferentes podem levar ao desenvolvimento da displasia do quadril.

A displasia e luxação do quadril são mais comuns no SEXO FEMININO. A PRIMEIRA GESTAÇÃO tem maior risco do que as demais, especialmente se associada com a POSIÇÃO DE NÁDEGAS durante a maior parte da gestação. Somam-se aos fatores de risco condições GENÉTICAS (pacientes com displasia tem maiores chances de ter crianças com displasia do quadril) e outras alterações que podem ocorrer durante a gestação, como a diminuição do líquido amniótico. DOENÇAS NEUROMUSCULARES, como a paralisia cerebral, também aumentam o risco. Por isso, após o nascimento, se existem fatores de risco é importante, também, a avaliação da criança pelo ortopedista pediátrico.

Retornando ao nosso objetivo, que são as consequências da displasia e da luxação no quadril adulto, temos duas situações diversas, a displasia e a luxação do quadril.

Na displasia do quadril o acetábulo não apresentou uma formação e desenvolvimento adequados, especialmente do teto acetabular, colocando sobre forças anormalmente altas a cartilagem e o lábio acetabulares. Como consequência, pode ocorrer dor, sensação de “deslocamento” e estalos na região do quadril. Na maioria das vezes, inicialmente não há perda de movimento do quadril.

O diagnóstico da displasia ou da luxação, no adulto, é feito por radiografias onde são avaliados diversos parâmetros. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética auxiliam no diagnóstico e definição das formas de tratamento.

O tratamento da displasia depende da intensidade dos sintomas, da presença de lesão da cartilagem e do grau de malformação do acetábulo e cabeça femoral.

Formas menos graves, sem lesão grave da cartilagem e com nenhuma ou mínima dor podem ser observados e TRATADOS CONSERVADORAMENTE com mudança da atividade, reforço muscular e medicamentos analgésicos. Quando a dor é progressiva e o tratamento conservador não é efetivo, pode ser realizada a ARTROSCOPIA DO QUADRIL em alguns casos muito bem selecionados.

Nos casos com dor acentuada, alteração grave da forma do acetábulo e com lesão da cartilagem inexistente ou pouco extensa, a alternativa é a OSTEOTOMIA PERIACETABULAR (cirurgia em a posição do acetábulo é modificada por cortes ósseos). Nos casos mais avançadas, especialmente com lesão da cartilagem extensa ou na presença de artrose, a ARTROPLASTIA DO QUADRIL pode ser a melhor alternativa.

Na luxação do quadril a cabeça femoral está completamente fora do acetábulo, nos mais diversos graus. Quando a cabeça femoral se desenvolve fora o acetábulo, existe um desenvolvimento insuficiente dessas estruturas. Músculos, ligamentos e lábio acetabular também estão comprometidos. Pode ocorrer em um ou ambos quadris e normalmente a dor é tardia. Quando ocorre em um quadril apenas, a suspeita do diagnóstico é mais fácil porque existe uma diferença grande no comprimento dos membros inferiores.

Figura 1. Paciente feminina, 29 anos com luxação do quadril; presença de placa metálica devido à cirurgia prévia na infância.

 

A luxação do quadril, quando existe dor não controlada, é tratada com ARTROPLATIA DO QUADRIL, na maioria das vezes associada com OSTEOTOMIA DE ENCURTAMENTO DO FÊMUR. É uma cirurgia extremamente complexa e que demanda muita experiência do cirurgião e sua equipe.

Figura 2. Planejamento e resultado pós-operatório na luxação do quadril. Realizada osteotomia femoral no segmento delimitado em amarelo. À esquerda radiografia após a colocação da prótese de quadril.